Leitura: Jornalismo Cultural

Durante o curso de jornalismo na Universidade de Brasília, uma das sugestões de leitura da professora Márcia Marques foi o livro Jornalismo Cultural, de Daniel Piza. O autor faz um breve resumo da modalidade jornalística desde o surgimento, na Europa, em 1711, com os ensaios humanistas e as resenhas críticas; atravessando os contextos americano e o brasileiro.

jornalismo-cultural

Com o livro é possível compreender que o jornalismo cultural nada mais é que uma vertente do jornalismo com características próprias de tempo de produção e de leitura. É a atividade a partir da qual a produção cultural é discutida, explicada, avaliada e apresentada para a sociedade. Através do jornalista surgem interpretações e avaliações do que é produzido enquanto cultura. Com isto, a imprensa cultural funciona como um mediador entre o artista/indústria cultural e a sociedade.

O jornalismo, que faz parte dessa história de ampliação do acesso a produtos culturais, desprovidos de utilidade prática imediata, precisa saber observar esse mercado sem preconceitos ideológicos, sem parcialidade política. Por outro lado, como a função jornalística é selecionar aquilo que reporta (editar, hierarquizar, comentar, analisar), influir sobre os critérios de escolha dos leitores, fornecer elementos e argumentos para sua opinião, a imprensa cultural tem o dever do senso crítico, da avaliação de cada obra cultural e das tendências que o mercado valoriza por seus interesses, e o dever de olhar para as induções simbólicas e morais que o cidadão recebe. (P. 45)

O método de produção deste segmento é orientada para a tradução dos acontecimentos, para o cruzamento de referências, para a análise de obras. E os gêneros utilizados são muitos: coluna, entrevista, perfis, reportagem e a crítica que, para o autor, ainda é a “espinha dorsal do jornalismo cultural”.

Daniel Piza atribui parte da decadência da modalidade a três fenômenos: a submissão ao cronograma de eventos e à agenda – aos lançamentos, às celebridades, aos sucessos de bilheteria. Em segundo lugar, aos textos produzidos que pouco diferem dos releases e vêm diminuindo de tamanho consideravelmente. Em terceiro, à ”marginalização da crítica”. Segundo ele, o espaço destinado às avaliações nos jornais e revistas é cada vez menor e sem destaque visual, baseadas em opiniões com pouca ou nenhuma fundamentação.

Aos jornalistas culturais, consistência e ousadia!

Anúncios

Um comentário sobre “Leitura: Jornalismo Cultural

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s